quinta-feira, 19 de março de 2009

Grupos e Organizações

O grupo, composto apenas de algumas pessoas em interação, é a unidade básica das organizações humanas. Mas como as dimensões sociais têm aumentado, os grupos são constituídos a fim de formar organizações mais complexas – tais como empresas, organizações burocráticas e escritórios. Muito de nossa vida diária é gasto em grupos; de fato, tente imaginar qualquer hora em que você não esteja em um grupo ou pensando em pessoas. É essa inserção de grupos em estruturas maiores e mais abrangentes que possibilita aos homens a construção de sociedades complexas e elaboradas.


1. Comportamentos e interações ocorrem dentro de uma estrutura social, ou redes organizadas de status, normas e papeis sociais.


2. O tipo mais elementar de estrutura social é o grupo que, dependendo de seu tamanho, pode classificar-se como primário ou secundário. Os grupos primários são mais íntimos e coesos, envolvendo mais conformidade às normas, do que os grupos secundários.


3. Os grupos têm poder sobre as pessoas, reprimindo e limitando as auto-imagens, os valores e crenças, as emoções, as motivações e o estilo de representação de seus integrantes.


4. Os grupos são estruturas altamente dinâmicas, que revelam um número de processos básicos:


a) liderança e o aparecimento de líderes de tarefa e socioemocionais;

b) tomadas de decisões e desenvolvimento de consenso e “groupthink”;


c) coesão e solidariedade quando estes surgem de altos níveis de interação, experiências semelhantes dos membros e fontes externas de ameaça;


d) expectativas ou parâmetros de características “difusas” ou desempenhos passados para antecipar o que os indivíduos devem fazer em grupo;


e) grupos de referência como parâmetros para orientar os pensamentos e reações em uma situação específica.


5. Quando a sociedade se torna maior e as tarefas mais complexas, os grupos são unidos para formarem organizações que revelam papéis sociais formais, uma clara divisão de trabalho, hierarquias de autoridade, controle de emoções, competência técnica dos encarregados, controle organizacional dos cargos e planos de carreira rumo à hierarquia.


6. Há vários tipos de organizações:


a) organizações voluntárias, em que as pessoas livremente reúnem certos objetivos e interesses;


b) organizações coercitivas, em que os indivíduos são forçados a permanecer separados do resto da população;


c) organizações utilitárias, em que os membros racionalmente calculam os custos e os benefícios de sua participação.


7. Uma dinâmica importante das organizações é “ecológica”: as organizações existem em um ambiente de recursos e devem geralmente competir com outras organizações pelos recursos que levam a padrões de crescimento e declínio nos diferentes tipos de organizações da sociedade.


8. Outro conjunto de dinâmica é interno, girando em torno de uma série de processos:


a) desenvolvimento de relações informais dentro da hierarquia formal;


b) a origem de conflito na distribuição de autoridade;


c) natureza dos serviços quando estes refletem as tecnologias e produtos fabricados;


d) controle e autoridade que giram em torno de padrões de supervisão externa e compromissos do trabalhador;


e) processos culturais nos quais os valores, crenças e normas criam uma “ética” específica sobre como o trabalho deve ser feito;


f) “ritual” ou desempenho do trabalho sem consideração dos objetivos de uma organização;


g) a alienação decorrentes dos serviços chatos e rotineiros;


9. A natureza da organização tem, nas últimas décadas, mudado enormemente sob o impacto da tecnologia e competição econômica mundial, levando à queda dos empregos de produção e ao aumento dos empregados na área de vendas e de prestação de serviços.


quarta-feira, 18 de março de 2009

Estrutura Social

A realidade social revela um padrão, ou estrutura, que dá a cada um de nós um sentido para o lugar ao qual pertencemos, o que se espera que façamos, e como nós devemos pensar e sentir. Embora a realidade social não tenha a organização de uma colméia, ela não deixa de ser organizada. Se ela não fosse organizada, não saberíamos como agir, e constantemente ficaríamos incertos quanto às prováveis reações dos outros. Sem estrutura, o mundo social é o caos. Evidentemente , com estrutura demais ele se torna restrito, chato e opressivo, e às vezes acaba por eliminar o papel do sujeito. Desde que os homens deixaram a caça e a colheita como modo de subexistência, eles nunca mais alcançaram o mesmo equilíbrio entre a liberdade e a autonomia, por um lado, e a ordem e a estabilidade, por outro. A vida social é um constante cabo – de – guerra entre o nosso desejo de ser livre e a nossa necessidade de ser parte da estrutura social.


1- Praticamente todo aspecto de nossa existência – pensamento, intuições, sentimentos e comportamento – é influenciado pela participação em estruturas sociais.


2- Estruturas sociais são construídas de status, papéis sociais e rede de status. Cada pessoa revela um conjunto de status, talvez um status mestre e, para cada status ocupado, existe um conjunto de papéis sociais, obrigações do papel social e conflito de papéis. O conflito de papéis resulta, normalmente, da sobrecarga do papel social de um único status ou conflito entre as obrigações de diferentes status.


3- As redes de status que compreendem as estruturas sociais variam em termos de dimensões básicas: números de status, número de pessoas em cada status, natureza de ligações dentre os status. Essas ligações podem ser livres ou densas, envolver poder ou hierarquia, transmitir recursos que variam, e existir durante períodos de tempo variáveis.


4- Estruturas sociais básicas que organizam as populações humanas incluem:

a) grupos compostos de cadeias relativamente pequenas de pessoas em contato face a face;

b) organizações que reúnem números grandes de indivíduos e grupos em hierarquias de autoridade;

c) comunidades que ordenam os indivíduos, grupos e organizações no espaço geográfico;

d) estruturas institucionais compostas de complexos de grupos e organizações voltadas para a necessidades básicas da existência humana e organização social;

e) estruturas de categorias nas quais as características semelhantes das pessoas se tornam a base para o tratamento diferenciado;

f) estruturas de estratificação, nas quais categorias de pessoas recebem parcelas diferentes de recursos valorizados pela sociedade;

g) sistemas societários que organizam grupos compostos de cadeias através de estruturas de estratificação sobre o território;

h) estruturas intersocietárias que unem sistemas societários.


5- Porque cada pessoa está encaixada numa matriz de estruturas sociais – de grupos a sistemas intersocietários – pensamentos, intuições, sentimentos, ações e interações sociais são extremamente limitados.


terça-feira, 17 de março de 2009

Símbolos e Cultura

A vida social é regulada por sistemas de símbolos que nos impulsionam para agir, interagir e nos organizar. Para muitos animais, essas determinações localizam-se nos genes de suas células e fornecem planos de vida biologicamente determinados.

Até certo ponto, isso pode também ser verdadeiro para os homens, mas essas instruções biológicas são complementares, e geralmente complementadas por códigos culturais que regem nossa conduta no espaço social, as conversas com os outros, nossa forma de diálogo, novos relacionamentos e a construção das grandes estruturas das sociedades modernas. Os homens sem símbolos ou cultura ficariam perdidos e o mundo como nós o conhecemos desmoronaria.

Enquanto os símbolos e as normas / regras que ele contêm podem parecer uma obrigação, especialmente num mundo moderno, em que a revolução da informação está sempre gerando novos sistemas de símbolos e que não se pode escapar de um mundo saturado de sinalizações, nós não saberíamos sem tais sistemas de símbolos como agir, como criar novos relacionamentos,e como construir e viver nas estruturas da vida moderna. Em síntese, o homem opera com um código genético e um cultural. Isso leva alguns autores a defini-lo como um ser complexo.


1- A informação que orienta grande parte da atividade humana é simbólica e não genética. Ao contrário dos insetos sociais, os homens criam códigos que orientam seus comportamentos, interações e modos de organização social.


2- A cultura é o sistema de símbolos que uma população cria e usa para organizar-se, facilitar a interação e para regular o comportamento.


3- Há muitos sistemas de símbolos dentre uma população, mas entre os mais importantes estão: a) sistemas de linguagem que as pessoas usam na comunicação; b) sistemas de tecnologias que incorporam o conhecimento sobre o dominar o meio ambiente; c) sistemas de valores que dizem respeito aos princípios de bom e mau, de certo e errado; d) sistemas de crença que organizam as cognições das pessoas sobre o que deveria existir e realmente existe em situações e espaços específicos; e) sistemas normativos que dão expectativas gerais e específicas sobre como as pessoas devem se comportar em diversas situações; e f) estoques de conhecimento, que dispõem de informação implícita que as pessoas inconscientemente usam para compreender as situações.


4- A cultura varia dentro e entre as sociedades, e essa situação geralmente leva ao conflito entre aqueles que possuem valores, crenças ou normas diferentes. Alguns conflitos permanecem no nível simbólico, mas o conflito geralmente surge o combate aberto entre as partes com crenças diferentes.


5- As subculturas surgem e persistem em sociedade complexas, cada um revelando alguns sistemas de símbolos distintos. Às vezes, o conflito é evidente entre subculturas, especialmente quando algumas subculturas são capazes de impor seus símbolos às outras.


6- Sistemas de símbolos geralmente revelam contradições e incoerências, uma situação que pode colocar os indivíduos em conflito pessoal, e às vezes grupal.


7- O etnocentrismo é um subproduto inevitável das diferenças culturais, com indivíduos que vêem como inferiores aqueles símbolos culturais distintos dos seus. O etnocentrismo produz preconceitos que geralmente vêm à tona em conflitos declarados.



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