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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Ditadura do que mesmo?, por Sérgio Peixoto Mendes*



A expressão “ditadura do proletariado” foi utilizada pela primeira vez por Marx em 1870 quando este precisou definir a fase intermediária entre a destruição completa do Estado burguês e o surgimento de uma sociedade sem classes. Abolir a burocracia, a polícia e o exército permanente, mesmo que para isso fosse necessário o uso da violência armada, fazia parte do plano de eliminar a máquina opressora do Estado, uma vez que este último era visto como um instrumento de opressão de uma classe por parte da outra. Então, tinha-se de um lado o burguês no poder e do outro lado o proletariado como classe oprimida. A revolução prometia a inversão dos papéis e o que mais mesmo?

Portanto, ditadura, na sua concepção original marxista, nunca foi um regime político, mas, sim, um símbolo claro e evidente de uma fase em que o uso da força é que dá tom e o resto dança conforme a música. Ditadura é luta.

Depois desse período, o mundo já deu muitas voltas, a ditadura voltou a ter novos momentos no auge, por exemplo, com os militares no Brasil, que também passaram. O império americano impôs a sua, disfarçada de liberalismo democrático, foi um longo período de dominação econômica, mas acabaram explodindo como bolhas de sabão. Os xeiques do petróleo tentaram anuviar o mundo, mas também falharam e se perderam na fumaça negra das refinarias fora de uma vertente sustentável. A moda dita a magreza dura. Também vai passar. São todos períodos de luta, algumas armadas, outras ideológicas, mas lutas.

Hoje, o magro oprime pacificamente o gordo, o virtual oprime o real, e o mundo gira numa velocidade espantosa para “alimentar” o desenvolvimento econômico. As favelas invadem as cidades e o campo se automatiza. A soja é transgênica e as frutas dobraram seu tamanho. Até o vinho já é orgânico e o crack virou tóxico. Nos estádios, não se pode beber e no reservado não se pode fumar. Tudo vai para o ar, livre.

O bandido tem mais direitos do que o cidadão. E os cargos políticos viraram proteção. O Executivo legisla e o Legislativo fisga o seu quinhão. A dita linha dura vira a casaca pelo avesso e o verde há tempo deixou de ser oliva. Tempos modernos estes, apesar de alguns manifestos comunistas.


*Filósofo

Fonte: Jornal Zero Hora - 12 de outubro de 2009 - N° 16122

Imagem: Aqui
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