Mostrando postagens com marcador limites. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador limites. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

O mundo pelo avesso, por Luciano Corrêa Iochins *



Às vésperas de chegarmos ao ano 2010, penso ser necessário fazermos algumas reflexões acerca dos acontecimentos que nos rodeiam.

Foram inúmeros os avanços tecnológicos nos últimos anos. Vivemos, atualmente, a era da informação, e do conhecimento. Com a criação da internet, os processos de comunicação ao redor do mundo tornaram-se instantâneos, o acesso às notícias foi facilitado e a busca por informação foi simplificada através dos “sites” de pesquisa.

Por outro lado, os jovens passaram a ler menos e deixaram o estudo em segundo plano. Os livros foram substituídos pelo Orkut, os cadernos de aula cederam espaço para o msn. E, como se não bastasse, ainda inventaram o tal do Twitter. Um “bombardeio” de criações que tornaram os adolescentes reféns da cultura inútil.

Leio nos jornais sobre os prédios imensos em Dubai; a construção da ponte mais longa do mundo pelos chineses; o encontro dos chefes de Estado, em Copenhague, para discutir a situação do clima no planeta; a escolha do Brasil para sediar os Jogos Olímpicos, em 2016, e a Copa do Mundo, em 2014; e, ao mesmo tempo, me questiono: que relevância tem isso se a mente humana não evolui?

Sinceramente, parece que o ser humano não faz questão de usar o seu cérebro para praticar o bem. Como explicar, por exemplo, a covardia dos acusados de introduzir, recentemente, cerca de 50 agulhas no corpo de uma criança, na Bahia? Como entender um bando de torcedores, nitidamente exaltados pelo fanatismo, que invade um campo de futebol para agredir os árbitros e os jogadores? E as torcidas que brigam entre si? Como compreender a demência de alguém que dispara um soco no rosto de uma autoridade? Como aceitar tanta selvageria em plena iminência do ano 2010? É muito complicado suportar a maldade dos indivíduos.

O que houve com o homem? Não há mais amor ao próximo, ninguém mais tem apreço pelos outros. Onde estão os valores? E a ética? Chega de violência! Adeus, radicalismos! Não podemos mais achar normal o aluno que bate no professor! Basta! Não devemos mais permitir brutalidades.

Quiçá possamos acreditar na vinda de um momento mais alegre para a população. Certamente, no ano que vem, não mudaremos o mundo; não obstante, se todos nós tentarmos ser pessoas melhores, já é o suficiente.

É preciso, sim, que continuemos os protestos, as reivindicações, as vaias, as indignações e a luta pelos nossos direitos. Contanto que não deixemos de lado duas palavras que estão em extinção no vocabulário do povo: respeito e limite! Feliz Ano-Novo!

* Jornalista e professor de língua inglesa e língua espanhola

Fonte: Jornal Zero Hora

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O “não” como regra, por Leandro Molina*


Há dias, uma pergunta atormenta a sociedade. Quais são os limites do ser humano para atingir seus objetivos na vida? Ainda é possível falarmos em ética, honestidade e humildade sem sermos considerados tolos?

Mas o que realmente assusta é o “não”. O caso de políticos recebendo dinheiro ou acertos de propina revela a facilidade de muitas pessoas levianas para dizer o não. Ao serem flagrados com dinheiro em pacotes, na cueca ou nas meias, políticos dizem em tom uníssono: “Não sei disso, não tenho envolvimento”.

O “não” é mais que uma negação. É o pseudoargumento de quem não tem argumento. É importante ressaltar que a sujeira não está escondida somente sob os tapetes em Brasília. Ela está presente no cotidiano das instituições, nas empresas e em nossas vidas. Quando um funcionário de uma empresa ou servidor de uma instituição pública usa métodos perversos para usufruir de algum benefício, seja financeiro ou na carreira, também está infringindo a ética que norteia a sociedade.

Nos processos mentais, independentemente dos instintos reprimidos do homem, sempre há causas para os pensamentos, sentimentos ou ações. Esse impulso que move de forma negativa e gera corrupção e desonestidade foge às leis do pensamento e à estrutura de personalidade dos cidadãos probos.

A tradição de corrupção está incutida em todas as sociedades. Não existe sociedade sem crime, sem violência e sem doença. O grande problema é quando conhecemos o crime e a doença e há conformação. Não é admissível que a desonestidade seja transformada em valor positivo. A educação seria um fator de extrema importância no combate a esse estado de leniência. Mas o ensino precisa ter capacidade para competir com as mais variadas formas de crime.

Cabe à sociedade o papel de decidir coletivamente os rumos do país. O cidadão está letárgico. Exemplos de crimes de “colarinho” e de mensaleiros geram uma divisão entre o mundo da nossa casa e o mundo da rua. O que acontece dentro de casa é nosso problema. O que acontece na rua é problema da rua. Esta divisão causa uma omissão do cidadão. Mas os cidadãos também têm responsabilidades.

A experiência democrática tem demonstrado que é preciso aprimorar as instituições de um país onde milhões de reais circulam por baixo do pano e a impunidade virou regra. O problema não é alheio. A isso acrescento uma frase do romancista francês Honoré de Balzac: “A resignação é um suicídio cotidiano”.

*Jornalista

Fonte: Jornal Zero Hora 
Imagem em: www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?ar.. 
Blog Widget by LinkWithin