Mostrando postagens com marcador FSM de Porto Alegre. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador FSM de Porto Alegre. Mostrar todas as postagens

domingo, 24 de janeiro de 2010

Entrevista - “Precisamos mostrar que temos posição própria” Boaventura de Sousa Santos, Sociólogo português

Aos 69 anos, o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos será uma das grandes estrelas do FSM de Porto Alegre. Com o histórico de quem participou da primeira edição, em 2001, o professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra defende mudanças no formato do evento. Para ele, o FSM precisa assumir posições. A seguir, trechos da entrevista:

Zero Hora – Que balanço o senhor faz dos 10 anos?

Boaventura de Sousa Santos – O Fórum teve muito mais impacto na cena mundial do que se pode imaginar. O Fórum foi muito forte na América Latina e evoluiu na capacidade de chegar a outros continentes. Realizamos o evento na Índia e na África e descobrimos problemas que eram desconhecidos. Vimos que os africanos, ao contrário do que se pensava, tinham capacidade de organizar um evento tão amplo e grande.

ZH – Qual o futuro do Fórum?

Boaventura – O Fórum é hoje uma presença incontornável na medida em que mostrou que os partidos não tinham o monopólio da representação política dos cidadãos. O Fórum teve a capacidade de mostrar as organizações sociais como formas legítimas de representação política e, portanto, como uma forma de enriquecer a democracia. O Fórum sempre defendeu a luta política, mas uma luta pacífica. Por isso, não entraram grupos adeptos da luta armada.

ZH – O que o Fórum não conseguiu fazer ao longo da década?

Boaventura – Não fizemos algo que segue em discussão e que vai ser discutido em Porto Alegre. Para alguns, entre eles eu, seria muito importante que, em certas áreas de grande consenso dentro dos movimentos, o Fórum pudesse apresentar soluções, diagnósticos fundamentados e propostas de mudança.

ZH – Oded Grajew diz que o Fórum se tornaria ONG ou partido caso tivesse pauta de reivindicações. O senhor concorda?

Boaventura – Compreendo Oded e tenho discutido muito isso com ele. Penso que a identidade do Fórum não será prejudicada se algumas organizações se juntarem, seja por exemplo a Via Campesina, que tem uma presença mundial muito forte, e organizarem algumas ações em nível continental.

ZH – Como isso funcionaria?

Boaventura – O Fórum não tem de ter uma posição só. Gostaria que houvesse várias posições bem fundamentadas. O Fórum pode ser plural. Precisamos mostrar que temos posição própria.

ZH – Que temas estariam nessa pauta?

Boaventura – Temos de ir caminhando com o tempo. Não sou eu nem é ninguém individualmente que pode definir isso.


Fonte: Jornal Zero Hora
Blog Widget by LinkWithin