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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

"A massa discute a manipulação da mí­dia?" - para 2ª série do Ensino Médio


O documentário é um ensaio experimental sobre opiniões populares a respeito do poder de influência dos grandes meios de comunicação. A montagem, que deturpa ironicamente os depoimentos dos entrevistados, evidencia as possibilidades de se manipular informação, fazendo do próprio filme um exemplo de manipulação da mí­dia.
CENAS EXTRAS: http://www.youtube.com/watc... http://www.posturadigital.c...




Fonte: Postado pelo amigo Victor Simões no Blog
Suciologicus.

Especialmente para os alunos da 2ª série do Ensino Médio do Camilo.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Nós, os comuns, por Cleber Benvegnú*

“Para aqueles que se habituaram à posse de admiração pública, ou mesmo à esperança de conquistá-la, todos os demais prazeres empalidecem e definham.” Adam Smith (1759)

No dia em que conheci essa frase, logo procurei guardá-la em meus alfarrábios. Pensei comigo que, hora ou outra, ela acabaria sendo útil. Agora, ao ver os episódios que se sucedem no Senado, fui recuperá-la. E, de fato, parece que a assertiva resume bem o que está ocorrendo: o presidente Sarney como que se acostumou com a admiração pública de um modo que não consegue mais viver sem ela. Trata-se de uma patologia político-moral: sem o poder, ele empalideceria e definharia.

Mas esse caso não se restringe ao plano da vaidade pessoal. Estamos diante de um típico exemplo de apropriação do Estado pelo interesse particular, o que na ciência política se chama de “patrimonialismo”. Em outras palavras, é uma confusão entre o público e o privado. Típica herança do Brasil Colônia, essa postura faz com que as coisas do povo sejam tratadas como propriedade do político-monarca: casas, cargos, carros, memoriais, seguranças, gasolina, passagens... Sarney já não sabe o que é seu, o que é dos seus, ou o que é dos brasileiros. Deve ter dúvida, até mesmo, se ele próprio não é o Brasil, institucionalizado ad eternum que se imagina.

E o presidente Lula – talvez o mais legítimo mandatário popular do nosso tempo – milita em defesa de Sarney: “Sarney tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum”, disse ele, de pronto, lá de longe, assim que a crise eclodiu. Isso mesmo, com essas exatas palavras! Ele – o Lula do povo, do pau-de-arara, o Lula operário, ativista social, lutador da igualdade – verbalizava e referendava um grave vício moral da nossa política. O tratamento igual dos cidadãos perante a lei, pelas palavras do presidente da República, definitivamente, virou um conceito relativo em nosso ordenamento.

Há, portanto, claramente, na visão da atual elite política brasileira, os cidadãos de primeira e de segunda classes. De um lado, lá em cima no pedestal, aqueles que experimentaram o gosto da admiração pública e não querem largá-la por nada, como sugeriu Adam Smith. De outro lado, cá embaixo, os cidadãos comuns, os Lulas de hoje, que trabalham e pagam impostos, que são julgados segundo os rigores da lei. Do lado de lá, uma minoria bem servida. Do lado de cá, uma maioria correndo atrás da máquina. Do lado de lá, os que viajam faceiros. Do lado de cá, os que quitam a viagem. Do lado de lá, os que empregam uma geração inteira. Do lado de cá, os que pagam os salários da família alheia.

Estamos diante, sem dúvida, de um dos maiores achatamentos morais da história brasileira. E o Lula, de tantos méritos – bem maiores do que eu mesmo supunha, especialmente na gestão econômica –, consegue prestar um grande serviço à desmoralização do debate nacional e ao arrefecimento da reação popular. Ovacionado por quase 80% do eleitorado, tudo o que diz vira ouro, ganha legitimidade. E nós, os comuns, eis que permanecemos condenados ao status quo, ao chão desta institucionalidade pseudodemocrática. Pior que a crise política, como se vê, é a incapacidade de reação da nação. Além de comuns, parece que perdemos as forças.


*Advogado e escritor

Fonte: Jornal Zero Hora - nº 16017 - 01 de Julho de 2009.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

sábado, 7 de março de 2009

O silêncio dos bons - Roberto Pompeu

Por Roberto Pompeu de Toledo

"O conceito de ‘governabilidade’ foi interpretado, na política brasileira, como a necessidade de reservar áreas do governo à livre prática da corrupção"

Agora já não há mais dúvidas: houve uma batalha entre os bons e os podres, e os podres venceram. É simples assim. Tal qual num teatro em que o autor finalmente desvela o que ainda faltava desvelar, e os espectadores são contemplados com o chocante desfecho, os últimos dias, começando pela tentativa de assalto comandada por um ministro a um fundo de pensão, e terminando com a articulação para eleger o novo presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado, disseram tudo.

A mesma turminha braba agiu num caso como no outro. Aquela turminha famosa mesmo antes de o senador Jarbas Vasconcelos denunciá-la na VEJA de três semanas atrás, e mais famosa ainda depois. Ela estende sua sombra por um vasto condomínio: o Senado, a Câmara, os ministérios de mais polpudos orçamentos, o comando das estatais. Onde há ainda algum cofre fora de seu alcance, ou algum promissor recanto do estado a salvo de seu poder de chantagem, não se perde por esperar. Eles estão com as garras afiadas e, certos de que não há força capaz de barrar-lhes o avanço, ainda chegam lá. É simples assim: acabou. Eles venceram.

Como foi isso acontecer? Já se cansou de falar da voracidade com que os políticos se lançaram ao pote, quando do desmanche da ditadura. Já se cansou de falar da impunidade, já se arquicansou de falar de regras eleitorais favoráveis à trapaça e ao engodo. Ficou faltando falar de um fator igualmente decisivo, ou mais: o silêncio dos bons. Os podres avançaram na mesma proporção em que os bons recuavam. Quanto mais silêncio de um lado, mais estimulado se sentia o outro em seguir adiante. A audácia com que recentemente descartaram os últimos escrúpulos tem sua perfeita contrapartida na atitude daqueles que, por timidez ou, pior, por conveniência, se recusaram a atrapalhar-lhes o caminho.

Um aviso ao leitor incréu: existem, sim, os bons. Existe gente honesta e com a cabeça no bem do país no Congresso e nos ministérios, no governo dos estados e nas prefeituras. É tão equivocado achar que todo político é desonesto quanto achar que todos são anjos. Quando o senador Jarbas Vasconcelos soltou o verbo, expondo o PMDB como um partido cuja vocação é pleitear cargos para praticar a corrupção, seria de esperar que os bons viessem em peso engrossar o coro. Enfim, surgia um paladino daquela verdade que todo mundo via, mas que ninguém de semelhante prestígio e influência ousara denunciar. A obrigação dos bons, tanto nos outros partidos quanto nos minoritários bolsões de honestidade no próprio PMDB, seria, num tropel de cavalaria justiceira, vir em reforço do senador. Era de esperar uma mobilização que, do mais humilde vereador ao mais poderoso governador de estado, passando pelos senadores e deputados que exercem seu mandato com honradez, contaminasse a sociedade com um estrondo de avalanche. Em vez disso, o que se viu foi uma ou outra protocolar declaração de apoio, o silêncio de muitos, e vida que segue.

Por que o silêncio dos bons? Eis outra revelação para deixar a plateia chocada: porque puseram na cabeça que não podem prescindir dos maus. Não é que toleram; se assim fosse, não seria tão grave. Eles cortejam os maus. Acenam para eles com carinho, jogam beijinhos, reviram os olhos. Chegaram à conclusão de que sem eles não se governa, por isso se desdobram nas amabilidades e solicitudes. Esse fenômeno vem lá do funesto governo Sarney. O governo Fernando Henrique Cardoso foi a penúltima esperança de que pudesse ser detido. O governo atual, em que atingiu sua expressão máxima, foi a última. "Governabilidade", uma palavra que em outros países significa encontrar pontos doutrinários comuns, entre partidos diferentes, para permitir efetividade à ação administrativa, no Brasil ganhou o significado de reservar áreas do governo à livre prática da corrupção, em troca de apoio em votações no Congresso e em campanhas eleitorais. Em outras palavras, legalizou-se a corrupção. Acabou-se a história. A vitória foi entregue de bandeja à banda podre.

O homem escolhido para chefiar a Comissão de Infraestrutura do Senado, um posto que oferece boas possibilidades de manipulação e chantagem, é o ex-presidente Fernando Collor. Expulso do poder por corrupção em 1992, o homem que pedia para não ser deixado só teve seu desejo atendido: conta com a companhia amiga dos colegas, numa teia de solidariedade que corre até o centro do governo. Sozinho ficou o senador Jarbas Vasconcelos.

Fonte: Revista Veja - Edição 2103 - 11 de março de 2009.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

A Internacionalização do Mundo

Quase oito anos do texto
A internacionalização do Mundo - 28/3/08




Em 2000, Cristovam publicou o artigo A internacionalização do Mundo, em o Globo. O texto ganhou a internet e o mundo, sendo traduzido para vários idiomas. Abaixo, o texto na íntegra, seguido de uma entrevista com Cristovam, sobre o assunto, publicada no site Observatório da Imprensa. Quem quiser pode acessar o vídeo: http://br.youtube.com/watch?v=awniNjJ0eC0

A internacionalização do mundo

O Globo-10/10/2000- Cristovam Buarque

Fui questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia, durante um debate, nos Estados Unidos. O jovem introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para uma resposta minha. De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia.

Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Respondi que, como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, podia imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.

Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia é para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Os ricos do mundo, no direito de queimar esse imenso patrimônio da humanidade.

Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país.

Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar que esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, possa ser manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

Durante o encontro em que recebi a pergunta, as Nações Unidas reuniam o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu disse que Nova York, como sede das Nações Unidas, deveria ser internacionalizada.

Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro. Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola.

Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver.

Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa.


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A pouco tempo conheci o artigo, que recebi por e-mail da minha amiga Ana Maria. Cristovam Buarque, Ex-governador do Distrito Federal, Ex-ministro da educação e atual senador. Mas o foco desta postagem é mostrar para leitores e aos meus alunos, o que um verdadeiro Cidadão do Mundo deve falar, vale a pena ler e refletir.

Marise


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