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sábado, 22 de agosto de 2009

Que tempo vivemos?, por Maria Cecília Medeiros de Farias Kother*


Vivemos em um tempo que exige reflexões profundas que nos conduzam a posições que ainda não estão bem definidas e justamente por assim não estarem é que elas nos impelem a refletir e a tomá-las.

Mundo diferente, pessoas diferentes. Nesta conexão interativa homem/mundo, é que se estabelecem os resultados que aí estão.

Numa ligeira análise, vê-se que estamos em um mundo movido a crises. A crise econômica que arrebata finanças e produz desempregos nos deixa em estado de alerta. A crise ambiental que atinge o equilíbrio do ecossistema, com chuvas, enxurradas, tremores de terra, mares agitados, raios, secas, frio exagerado, leva medo às pessoas. A crise política que assola vários países, incluindo os nossos vizinhos, ocasiona insegurança e incompreensão. A crise da saúde, pela pandemia da gripe A (H1N1), que vem abalando o mundo e avançando sorrateiramente, deixa a todos preocupados.

Nesse rol de crises que são visíveis e objetivas, está inserida uma crise que se traduz na escassez de valores, como está se evidenciando nos comportamentos e atitudes das pessoas. É o caso, por exemplo, da própria vida como valor maior da pessoa, que está ameaçada pela disseminação do crack, pelo trânsito desorientado e descuidado e pelo mundo do crime.

O respeito como valor entre os indivíduos está se evaporando nas ações e nas relações interpessoais. A honestidade, premissa importante no ser e no fazer, está passando por um processo de elasticidade, chegando próxima ao rompimento e, pela confusão que imprime pelo exemplo, tornando confusos os limites entre ela e a desonestidade. Nesse enfoque, esta passa a ser rotulada como “esperteza”, isto é, “esperto” é quem pratica a desonestidade e busca transformar o seu aspecto negativo em positivo.

A crise da verdade como limite entre o que é certo e o que é errado, levada pelos múltiplos interesses que a deixam de lado e exercitam o seu contrário, a mentira, na busca de vantagens próprias, acarreta as mais variadas situações. Essa é uma crise na qual os indivíduos, mesmo quando flagrados, negam seus comportamentos de desonestidade no falar e no fazer e ainda são premiados com a indulgência da impunibilidade.

Erros graves na sociedade, no mundo econômico e no mundo da política são impingidos como se eles não tivessem ocorrido. Como não existiam e para assim serem vistos, esses erros são empurrados por forças explicáveis, mas inexplicáveis por não se justificarem.

Por certo, é de se admitir também que, mesmo dentro desse redemoinho de crises, ainda existem pessoas boas e responsáveis que, embora chocadas, têm o compromisso de refletir e pensar em mudanças.

Sabemos que depois de uma crise vêm situações melhores, mas, embora isso possa ser verdade, é grande também o número de crises que estão se sobrepondo em nossas vidas. Portanto, é importante refletirmos e pensarmos que poderemos encerrar esse período e que um novo tempo se iniciará. Como será esse novo período, que tipo de pessoas seremos e que estilo de vida levaremos são questões que serão resolvidas no seu devido tempo, mas que não podem passar despercebidas e sem a nossa interferência, pois, como diz Ortega y Gasset, “o homem é ele e suas circunstâncias”.

*Diretora do Instituto MC Educação Social


Fonte: Jornal Zero Hora - Nº16069 - 21 de Agosto de 2009.

Imagem: Google

domingo, 1 de março de 2009

Echno Geração - Para Refletir


Rei morto, rei posto...

Imagem-de-dois-bebes-brincando-com-as-maos-em-um-computador

Toda mudança tecnológica é uma mudança de geração. Todo o poder e todas as conseqüências de uma nova tecnologia só se tornam visíveis depois que aqueles que cresceram com ela se tornam adultos e começam a empurrar seus pais antiquados para a periferia. À medida que as gerações mais velhas morrem, levam consigo o conhecimento do que foi perdido quando a nova tecnologia chegou, e fica só a impressão do que foi ganho. É dessa forma que o progresso disfarça suas pegadas, refazendo perpetuamente a ilusão de que o lugar onde estamos é aquele onde devíamos estar. [Nicholas Carr, em seu livro “A Grande Mudança – Reconectando o mundo, de Thomas Edison ao Google”, da Editora Landmark]

Faça uma viagem breve no tempo. Retorne para o mundo de 15 anos atrás. Se esforce para recordar o seu cotidiano. Lembre-se dos detalhes. Como era o início de seu dia. Hábitos de estudo e/ou trabalho. Alimentação. O que fazia nas horas de lazer. Como se relacionava com as pessoas. Quantos ambientes freqüentava regularmente. Como eram os utensílios e máquinas que usava então. Se praticava atividades esportivas...

Faça estas perguntas para pessoas da geração anterior a sua e peça a elas que retornem 20 ou 30 anos no tempo. Anote todas as respostas. Se possível, peça aos amigos e conhecidos que respondam questões semelhantes. Quanto às pessoas de outras gerações, faça o mesmo e se preocupe sempre em anotar as respostas.

As respostas obtidas vão fazê-lo dar alguns passos na direção da história recente da humanidade. Mais especificamente você estará recordando a vida cotidiana dos brasileiros e, para ser mais exato ainda, do contexto em que vive e mora.

Perceberá que, por exemplo, a alimentação mudou muito. Se antes as mães passavam mais tempo em casa e não estavam tão integradas ao mercado de trabalho, tornando-se fonte de renda complementar [ou principal] ao orçamento doméstico, hoje as mulheres estão cada vez mais emancipadas e, conseqüentemente, a praticidade tomou conta das cozinhas e da alimentação...

Nunca as pessoas se alimentaram tanto em restaurantes ou se utilizaram de alimentos pré-preparados como hoje em dia. As indústrias agradecem. A saúde lamenta. Os feirantes e produtores agrícolas também sentem as perdas... Mas quem há de lamentar, é a prosperidade batendo as nossas portas...

Até muito recentemente era comum que as pessoas se relacionassem literalmente “ao vivo e em cores”, ou seja, se encontrando para bater papo, namorar, se divertir, desabafar, aprender, coexistir... Hoje em dia há um fenômeno mundial chamado “cocooning” [que quer dizer encasulamento, numa tradução livre]. Este termo originário da língua inglesa refere-se às pessoas, na grande maioria dos casos adolescentes ou jovens entre 12 e 30 anos, que estabelecem relações com amigos e namorados apenas a distância.

Seu elo de comunicação são os moderníssimos celulares ou a Internet, através dos quais trocam mensagens, fotografias, filmes ou ainda se falam [pois é... os celulares também servem como telefone!] a distância. Muitos deles demonstram dificuldades para criar vínculos nas escolas, empregos ou mesmo nas famílias às quais pertencem... Aquele negócio de pegar na mão, sair para dançar, convidar para um café ou almoço, dar uns beijos e namorar pra valer está mesmo ficando fora da moda...

Outra coisa que se fazia antigamente e que está caindo em desuso é reunir a turma para jogar bola, andar de bicicleta ou praticar atividades esportivas em grupo. É melhor jogar futebol nas telinhas... Os lances são mais espetaculares... Ronaldinho Gaúcho teve que, outro dia, esclarecer que não é o jogador que faz “chover” no Playstation... Até para ele que é um dos maiores jogadores do mundo o que está acontecendo no mundo virtual está ficando fora de cogitação... Imagine então para os reles mortais, pernas de pau de final de semana... Para que passar vergonha... A Techno Geração resolveu o problema ao simplesmente deixar de jogar no real e adotar o virtual como a sua praia, quadra, campo, estrada...

E o estudar... Mudou? Claro, antes o tempo da reflexão, pesquisa, elaboração de projetos e tarefas, produção textual e/ou leituras era outro, muito mais lento... Basicamente falando, era como se no passado tudo fosse feito a ritmo de tartaruga e, hoje em dia, turbinados pelas tecnologias, as novas gerações andassem como os velozes coelhos... Na fábula da lebre e da tartaruga, no final, quem era o vencedor mesmo?

Precisa saber o que é fotossíntese? Pesquise no Google e em alguns segundos terá respostas, desenhos, infográficos, dados... Equações matemáticas? Não tenha dúvidas, procure auxílio através da web, há professores online que podem auxiliar você... Quer maiores informações sobre os atentados as torres gêmeas em 11 de setembro de 2001?... Os arquivos dos jornais da época estão todos digitalizados e são facilmente acessíveis... É só descobrir onde estão, copiar e colar... Cadê a reflexão? Onde está o rigor científico? Que tipo de formação é esta? Aonde chegarão estes garimpeiros da Web?

Mas, como nos diz Nicholas Carr, à medida que todas estas maravilhas se incorporam ao cotidiano e as gerações passadas que vivenciaram outras realidades se vão, suas lembranças, bases, parâmetros, recursos, relações e padrões vão sendo não apenas abandonados... caem no esquecimento... E se antes seu destino era “mofar” nas páginas de livros de história... hoje estão em algum canto da rede mundial de computadores... Abandonados à própria sorte... prestes a serem “deletados” como arquivos mortos, sem utilidade, desprovidos de valor...

Por : João Luís de Almeida Machado Editor do Portal Planeta Educação; Doutor em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).

Fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=1340

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Olhar Sociológico


Por que é importante entender a especificidade do olhar sociológico para a realidade? Qual é esse olhar?
O treino do olhar é o primeiro passo na construção de um olhar sociológico para a realidade, e este se faz com base no estranhamento do cotidiano. Estamos acostumados a encarar tudo como natural, como se o mundo e as coisas que nos cercam são "naturais" e sempre foram assim. Para desenvolver um olhar sociológico é preciso quebrar tal forma de encarar a realidade.
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