O segundo insulto automático é “mentiroso”. Mentiroso é quem diz ou manifesta o contrário do que sabe, crê ou pensa; o que induz ao erro; finge; quem falta com o prometido. Os políticos mentem, mas aqui a questão é que parece que a mentira deixou de ser uma falta grave, como se o país resolvesse tapar o nariz e ir em frente. Suponho que os políticos não gostem das expressões “corrupto” e “mentiroso”, mas frente aos insultos incorporam seu melhor cinismo para repetir, como os implicados na Operação Rodin: “É para enfraquecer minha campanha”, “nada ficou provado”, “são ataques de meus inimigos políticos”. E continuam, impávidos, a agir como sempre. E, com raras exceções, os políticos nunca pagam por suas ações nefastas. Justiça lenta, foro privilegiado, advogados astutos e caros (muitos recebem polpudas aposentadorias com dinheiro público, financiaram sua alta capacitação com dinheiro público, para defender ladrões do dinheiro público), e uma legislação favorável os mantém, praticamente, incólumes.
Paul Valéry disse que “a política é, em realidade, a arte de evitar que o povo participe dos assuntos que, de direito, lhe concernem”. Pergunte ao povo: quem precisa de aumento salarial, brigadianos e professores ou auditores de tribunal de contas? Aos políticos não precisa perguntar, já responderam. Frente a essa situação, nasce o pior de todos os insultos, mas que poucos lançam: “voto branco” ou “voto nulo”. Não são palavras vulgares e, se forem bem utilizados, se poderia começar uma lenta higienização da política gaúcha e brasileira. Negar-lhes o voto ao votar em branco é um direito e, ao mesmo tempo, um elegante insulto. Se nada fizermos, será porque Fernando Savater, filósofo espanhol, tem razão: “O mais provável é que os políticos se pareçam muito a seus eleitores, talvez até demasiado; se fossem muito diferentes de nós, muito piores ou exageradamente melhores, certamente não os elegeríamos para representar-nos no governo”.
*Mestre em Administração – PUCRS
Fonte: Jornal Zero Hora - 09 de outubro de 2009
